A mineração de criptomoedas na Argentina segue sob pressão do setor elétrico do país, que quer aumentar os custos das operações. Nos últimos dias, várias medidas anunciadas se mostraram anti-mineração e despertaram atenção de empresários do setor.

A mineração de criptomoedas é uma atividade essencial para o funcionamento das redes, validando transações e garantindo a segurança do ecossistema.

No caso do bitcoin, suas transações são validadas com ajuda dos mineradores, que utilizam para isso equipamentos sofisticados de processamento gráfico.

 

Como dependem da energia para seu funcionamento e em seu processo de refrigeração, muitos governos consideram o setor ruim, mesmo com os crescentes investimentos das empresas em energia sustentável. Ao contrário dessas medidas, o Brasil espera atrair mineradoras com um projeto de lei que prevê isenção de impostos ao setor.

De qualquer forma, na Argentina, instalar empresas neste setor não tem sido tarefa fácil.

A mineração de criptomoedas na Argentina deve começar a enfrentar duros meses pela frente, no que depender do governo local e empresas do setor elétrico.

Em Buenos Aires, o governo atendeu a um pedido do FMI e editou a Resolução n.º 405/2022, que prevê um aumento no custo da energia na capital e sua região, mas que não deverá afetar as empresas de mineração de criptomoedas que atuam no território.

Com as novas medidas anunciadas pelo governo, tanto a eletricidade quanto o gás terá um aumento médio de 20% nos próximos meses. A medida passa a valer a partir da próxima quarta-feira (1).

Esse aumento não inclui diretamente os mineradores de criptomoedas, mas recentemente esses viram seus custos subirem quatro vezes, ou seja, já haviam sido pressionados.

Na Zona Franca de Zapala, uma empresa liderada por um brasileiro também segue encontrando resistência em sua implantação.

Isso porque, a FMI Minecraft Mining, com sede na Inglaterra, tem gerado polêmica em seu projeto de instalar uma gigante fazenda de mineração de criptomoedas no local. Esse território prevê isenções fiscais para empresas interessadas em atuar no local.

Conforme o página12, que entrevistou o CEO da Zona Franca de Zapala, o projeto da empresa inglesa é ambicioso e pode causar danos ao meio ambiente local, o que levantou um debate na região sobre a chegada da empresa não ser positiva.

De qualquer forma, a empresa terá um contrato de dez anos, podendo ser renovado, que prevê geração de empregos e renda para a região, com investimentos também na infraestrutura de energia.

Vale lembrar que desde março de 2022 o Governo da Argentina preparava um pacote para agradar ao FMI, que inclui uma maior pressão sobre o mercado de criptomoedas. Como o país tem uma grande dívida, o congresso local acabou aprovando as medidas propostas pelo presidente Alberto Fernandes.