Algumas novidades vindas do governo venezuelano. A primeira atualização foi um aumento de 1.800% no salário mínimo do país, que subira para 126 bolívares (cerca de R$ 146 em valores atuais). A segunda é que 50% desse valor será atrelado à criptomoeda oficial do país, Petro.

Segundo a Bloomberg, o novo aumento foi proposto por uma assembleia de 10 mil trabalhadores e sancionado pelo presidente Nicolás Maduro. O reajuste foi aprovado através de um pronunciamento de Maduro transmitido ao vivo.

“Vocês propuseram  definir o salário mínimo básico dos trabalhadores a metade de um Petro, aprovado! E isso empurra todos os pisos salariais para cima”, disse o presidente.

Salários iguais a inflação

Segundo Maduro, os indivíduos que trabalham no setor privado ganham muito mais do que os trabalhadores do governo. Assim, para equiparar esta diferença, ele propôs o novo reajuste.

Parece que o novo salário mínimo será aplicado apenas aos funcionários do governo venezuelano. O presidente não comentou a respeito dessa possibilidade nem de qual será o papel da Petro nela.

Contudo, o salário mínimo serve como base para todos os pagamentos, o que significa que os salários do setor privado provavelmente terão reajustes.

O crescimento também visa compensar em parte a inflação, que fechou janeiro em 6,7%. No acumulado de 12 meses, o país registra uma alta de preços superior a 470%, conforme o Trading Economics.

O governo não forneceu detalhes a respeito de como funcionará esta ligação dos salários com a Petro. Este foi o primeiro aumento de salário concedido pelo governo desde abril de 2021.

A Petro uma criptomoeda construída na blockchain da DASH. Lançada em 2018, ela foi a primeira criação nos moldes de uma moeda digital do banco central (CBDC) lançada por um grande país.

A Venezuela foi o primeiro país a lançar uma criptomoeda estatal. Após seu lançamento, a Petro já foi utilizada para diversos serviços, desde a compra de imóveis até pagamento de taxas de passaporte.

Uma série de fatores levou a criptomoeda a ganhar pouca repercussão global. Em primeiro lugar, sua blockchain é praticamente inacessível, o que torna difícil verificar as transações. Em segundo lugar, a crise financeira no país ofuscou quaisquer benefícios da criptomoeda.

É possível comprar PTR com Bitcoin (BTC) e Litecoin (LTC) do banco central venezuelano ou em exchanges. Contudo, assim como ocorre com o bolívar, há uma diferença abissal entre os preços cobrados pelo governo e no mercado privado.

A maioria dos venezuelanos não usa a Petro de forma voluntária, o que levou o governo a impor o curso forçado sobre a criptomoeda. Por exemplo, impostos e taxas devem ser pagos com Petro, mas a criptomoeda é muito pouco utilizada no comércio local.